Commander Brackets - Atualização Outubro 2025
Olá’s pessoas! ✌️
Poucos dias atrás, Gavin Verhey publicou no site oficial da Wizards o artigo “Commander Brackets Beta Update – October 21, 2025”. Com um ar de patch notes, esse artigo descreve algumas mudanças na filosofia dos brackets, atualizações na Game Changer List e deixa algumas perguntas em aberto para a comunidade.
Este é um post de opinião, com uma visão de mesas casuais, principalmente brackets 2 e 3. Essa opinião não representa a Wizards ou qualquer comunidade específica, tampouco é uma verdade absoluta escrita em pedra.
Vamos destrinchar alguns pontos relevantes dessas mudanças e como isso impacta o formato.
Expectativa de turnos jogados
Uma das novidades desse update foi a adição de uma expectativa de turnos jogados para cada bracket, uma maneira muito objetiva de dizer o quão rápida ou explosiva uma partida deve ser.
A proposta atual diz que, antes de ganhar ou perder, você espera jogar por:
| Bracket 1 | ao menos nove turnos |
| Bracket 2 | ao menos oito turnos |
| Bracket 3 | ao menos seis turnos |
| Bracket 4 | ao menos quatro turnos |
Já ao jogar no bracket 5, você espera que a partida possa acabar a qualquer momento.
Ah! Quer dizer que se a Wizards lançar uma carta quebrada com uma interação que acaba o jogo no turno um, ela vai ser válida no cEDH!?
Sim! Um sonoro e retumbante SIM. Não há nada de errado com isso — afinal, estamos falando de cEDH. Se a carta for tão problemática assim, ela será banida assim espero.
Enxugando a Game Changer List
Recapitulando o que são Game Changers:
Game Changers são cards que alteram de forma substancial o equilíbrio de uma partida de Commander, permitindo que os jogadores acumulem recursos, mudem a continuidade das partidas de uma forma que desagrade aos demais, impeçam outros jogadores de jogar, procurem pelos cards mais fortes de forma eficiente ou possuam comandantes que se destaquem de comandantes mais casuais. Esses cards indicam claramente que terá início um tipo diferente de jogo, e que os demais jogadores poderão não gostar de jogar contra eles.
Decks de bracket 1 e 2 não permitem a utilização de Game Changers. Decks de bracket 3 podem ter até três Game Changers. Decks de bracket 4 e 5 permitem uma quantidade ilimitada de Game Changers.
— Wizards of the Coast1
Sabendo disso, os membros do painel decidiram reduzir o volume de cards na lista. O que, no fim do dia, acaba simplificando a vida dos jogadores, dá mais opções de montagem de deck e evita algumas redundâncias.
Lendas poderosas na zona de comando
Lendas que são poderosas apenas na zona de comando não são mais consideradas Game Changers. Com isso, Kinnan, Bonder Prodigy, Urza, Lord High Artificer, Winota, Joiner of Forces e a temida Yuriko, the Tiger’s Shadow saem da lista.
Tá liberado Yuriko no bracket 2!
Memes e piadas à parte, se considerarmos todas as restrições de cada bracket e o simples fato de que o comandante é o que costuma “dar nome” ao deck, se você realmente quiser (ou não) jogar com uma determinada lenda na zona de comando, é muito fácil ter uma conversa sobre isso.
Outras cartas que são apenas insuportavelmente chatas desagradáveis de jogar, como o nosso desquerido Grand Arbiter Augustin IV, ou poderosas tanto na zona de comando quanto nas 99, como Braids, Cabal Minion e Tergrid, God of Fright, continuam na lista.
Uma mudança relativamente simples, mas que reforça um ponto muito básico do Commander: é um jogo coletivo — conversem antes de jogar e alinhem as expectativas dos decks.
Custo e recompensa
Agora que temos a expectativa de duração da partida, fica ainda mais claro que, se você fizer uma mágica de oito, nove ou dez manas, espera-se que seja uma mágica de grande impacto e muito provavelmente o jogo estará se encaminhando ao final.
Com isso em mente, Expropriate, Jin-Gitaxias, Core Augur, Sway of the Stars e Vorinclex, Voice of Hunger estão deixando a Game Changer List. Essas cartas têm custo entre 8 e 10 manas; espera-se que, para conjurar uma delas, o jogador gaste todos os seus recursos ou dependa de uma sequência de cards que viabilize a jogada. Portanto, dado o investimento alto, é esperado que causem um impacto significativo.
Quer dizer que vai ter deck de Vorinclex no bracket 2!?
Na verdade, não. Embora não faça parte da lista, Vorinclex se encaixa na categoria de “mass land denial” (negação de terrenos em massa), assim como Armageddon, e essa característica faz com que ele só possa entrar a partir do bracket 4. É importante entender esses pequenos nuances: o objetivo da Game Changer List não é ser uma redundância das regras já explícitas em cada bracket.
Sem restrição de tutores para os brackets 1 e 2
Essa é uma mudança de aplaudir em pé! Quem viu a primeira versão dos brackets se deparou com o termo “few tutors” nos brackets 1 e 2, mas o que exatamente significa “poucos tutores”? Quais cartas se encaixam como tutor? E, afinal, quanto é considerado pouco?
Esse tipo de recomendação tão vaga é péssima e não deixa claro o que se deve esperar. Se uma carta for problemática para esses brackets, que vá direto para a Game Changer List. Por isso, só posso enxergar essa mudança com bons olhos.
Discussões em aberto
Gavin fez questão de deixar algumas “pontas soltas” no artigo, pontos para a comunidade refletir e discutir. De certa forma, existe ao menos uma tentativa de ouvir mais a comunidade e buscar feedback. Vale dar uma chance.
Vai pagar 1?
The Command Zone - Wall Scroll2
Rhystic Study é a icônica carta geradora de infinitos memes e interrupções de jogadas. Basta uma rápida pesquisa no Google Imagens por “Do you pay the one?” para entender que essa carta acumula amor e ódio por onde passa.
Embora seja uma Game Changer, seu potencial de geração de valor constante ainda parece deixar o painel com a pulga atrás da orelha. Rhystic Study deveria ser banida?
Embora detestável para alguns, assim como suas irmãs mais novas Smothering Tithe e Esper Sentinel, os membros do painel parecem estar inclinados a acreditar que a Game Changer List seja o lugar adequado para essas cartas.
Essa parece ser uma decisão razoável: essas cartas têm poder suficiente para mudar o ritmo do jogo, gerando uma “soft lock” que faz os oponentes gastar mais recursos em cada jogada (Augustin IV mandou lembranças), enquanto dão recursos ao controlador.
Commander é mais divertido com Rhystic Study?
Para muitas pessoas, provavelmente a resposta é sim. Por mais que alguns como eu detestem essa carta do mais fundo de seus corações, Rhystic Study é icônica e provavelmente a carta favorita de muita gente; ela faz parte da cultura do formato.
Neste tópico, gostaria de fazer uma menção honrosa (ou seria desonrosa?) a Charismatic Conqueror, outra carta com design semelhante. Embora não gere uma vantagem direta em recursos, mas sim em presença de campo com fichas de criaturas, esta carta também gera uma interrupção constante a cada ação. Esse tipo de mecânica força partidas naturalmente mais lentas ao adicionar uma camada de decisão a cada jogada e talvez devesse ficar distante dos brackets mais baixos.
Saturação de Thassa
Uma das condições de vitória mais comuns (se não a mais comum) nos decks de bracket 4 e cEDH é Thassa’s Oracle, principalmente em combinação com Demonic Consultation, Tainted Pact ou Doomsday. Quem nunca ouviu falar dessa carta provavelmente não teve contato com os formatos mais competitivos — e tudo bem.
O ponto aqui é diferente do caso de Rhystic Study: a dúvida em aberto é o quanto esta carta está presente em mesas mais casuais e, caso esteja, o quão “opressiva” ela deve ser. Jogos de mesas casuais estão sendo interrompidos prematuramente por um combo de Thassa’s Oracle?
Embora seja um questionamento louvável do painel, o problema desse card parece ser um pouco diferente. Em mesas casuais, sem as outras peças do combo, Thassa’s Oracle parece apenas tediosa. Lembrando que, por ser uma Game Changer, o mais casual possível é o bracket 3, então sua real presença está nos brackets 4 e 5, que ao menos na teoria não deveriam se preocupar tanto com jogadas explosivas e opressivas. Uma partida terminando no turno 6 com Thassa’s Oracle é realmente algo preocupante?
Se Thassa’s Oracle for banida, o impacto maior será nos formatos competitivos, que talvez ganhem mais variedade. De qualquer forma, decisões sobre o futuro dessa carta deveriam estar alinhadas ao ambiente em que ela é usada, e não apenas a um bracket específico onde ela não parece ser a condição de vitória mais viável.
Mais granularidade entre os brackets
O artigo menciona a possibilidade de criar um novo bracket entre o 2 e 3 ou entre o 3 e 4 para proporcionar mais granularidade.
É quase óbvio que o bracket 3 tende a ser o mais populoso: ele é mais acessível para novatos, mas já traz um espírito de construção de deck e personalização, que é a verdadeira identidade do commander casual. Naturalmente, com o tempo, os jogadores que entram no commander devem acabar migrando para esse bracket à medida que se identificam com um deck ou estilo de jogo.
Pense em alguém que começou a jogar com um pré-montado, aprendeu as regras e agora quer criar seu próprio deck — muito provavelmente essa pessoa cairá no bracket 3.
Mais granularidade, nesse aspecto, significa segmentação de jogadores, podendo dificultar ainda mais que aqueles que não buscam algo “super otimizado” e só querem se divertir encontrem a mesa correta.
Liberar mana híbrido na construção
Esse parece ser um ponto que dividiu opiniões e vale a pena ser debatido. Como este é um artigo de opinião, vamos começar pela opinião:
O artigo diz (em tradução livre):
Em Magic, as cartas híbridas são feitas para serem jogáveis com qualquer uma das cores. É assim que elas funcionam em todo o Magic: se eu tiver um Kitchen Finks, posso colocá-lo no meu deck mono-white ou no meu deck mono-green. No Commander, é o contrário: você não pode colocá-lo em um deck mono-white nem em um deck mono-green!
Essa afirmação é precisa, mas há um motivo para isso: Commander introduz o conceito de identidade de cor como limitação intencional na construção de decks.
Essa limitação obriga os jogadores a buscar opções diferentes, em vez de sempre optar pelas mesmas cartas. Quanto mais permissiva for a construção, mais parecidos os decks tendem a ficar.
E convenhamos, já não é exatamente simples explicar para novos jogadores a diferença entre cor da carta e identidade de cor da carta…
Levantar esse tópico agora parece estar diretamente ligado à primeira coleção de 2026, Lorwyn Eclipsed, que trará mais cartas de mana híbrida para o formato.
Com o power creep exponencial e o tempo cada vez menor entre coleções, permitir mana híbrida ignorando a identidade de cor na construção tende a criar uma legião de cartas genericamente boas, que podem entrar em inúmeros decks. O que à primeira vista parece liberdade, pode acabar tornando os decks mais repetitivos.
E como fica o commander em 2026
A conclusão que podemos tirar desse artigo e das mudanças no formato é que os membros do painel realmente tentaram lapidar os brackets para algo mais claro e objetivo, o que é ótimo. Acredito que o propósito de um grupo como esse seja tornar o jogo mais transparente, sem complicar ou limitar a criatividade dos jogadores.
É positivo ver que ideias ainda em aberto estão sendo compartilhadas com a comunidade antes de serem implementadas, evitando surpresas desagradáveis sempre que possível.
Mesmo com a impressão de que Commander ficou “meio de lado” nas últimas coleções, a leitura deste artigo é um sutil sopro de esperança de que ainda existem olhos atentos ao formato que conquistou tantos jogadores.
Para finalizar deixo o resumo gráfico3 feito pela Rachel Weeks.

Footnotes
-
Página oficial do formato Commander. ↩
-
“Do You Pay The One?” Wall Scroll Command Zone Store ↩
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Post da Rachel Weeks no Bluesky compartilhando a atualização dos brackets ↩